▶️ Contexto: Diferentemente do Brasil, o Congresso dos Estados Unidos é renovado parcialmente a cada dois anos. Quando ocorrem na metade do mandato presidencial, essas eleições são chamadas de midterms, ou eleições de meio de mandato.

  • Os deputados norte-americanos têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores, de seis.
  • Com isso, a cada dois anos, o país renova toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado.
  • Sendo assim, desta vez, estarão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 do Senado.

Segundo dados da Comissão Eleitoral Federal, compilados pela emissora NPR, as campanhas arrecadaram mais de US$ 15 bilhões (R$ 75 bilhões). Metade desse valor já havia sido gasta até a primeira quinzena de outubro.

Apesar de os candidatos democratas terem arrecadado mais dinheiro em diversas disputas, os republicanos contam com grupos políticos que têm grandes reservas para financiar campanhas e anúncios eleitorais.

  • Entre julho e setembro, candidatos democratas ou independentes arrecadaram mais do que os adversários republicanos em 27 das 35 disputas pelo Senado, segundo a NPR.
  • Nas 13 corridas consideradas mais competitivas, os democratas arrecadaram quase cinco vezes mais do que os republicanos.

Já quando se considera o dinheiro disponível para organizações externas que apoiam os partidos, os republicanos levam vantagem.

Segundo a Associated Press, grupos ligados a Trump tinham cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) disponível para investir nas eleições, contra aproximadamente US$ 579 milhões (R$ 2,9 bilhões) de organizações democratas semelhantes.

Parte desses recursos vem de grandes doadores.

  • O empresário Elon Musk, por exemplo, transferiu US$ 158 milhões (R$ 793 milhões) para o Senate Leadership Fund, grupo alinhado aos republicanos no Senado.
  • Ele também fez outras doações a organizações que apoiam candidatos do partido.
  • Parte do dinheiro foi usada na disputa pelo Senado no Texas, onde o republicano Ken Paxton enfrenta o democrata James Talarico.

No fim de outubro, Trump anunciou que investiria mais de US$ 400 milhões (R$ 2 bilhões) para ajudar candidatos republicanos. Do lado democrata, o empresário Michael Bloomberg prometeu investir US$ 80 milhões (R$ 400 milhões) em apoio a candidatos do partido, segundo a Reuters.

Vale lembrar que, ao contrário do Brasil, os Estados Unidos não têm horário eleitoral gratuito.

Além disso, embora exista a opção de financiamento público de campanhas, essa modalidade impõe uma série de restrições. Por esse motivo, os candidatos tendem a optar pela arrecadação de recursos junto a doadores privados.

Veja, a seguir, um guia de perguntas e respostas sobre as eleições de 2026:

1. O que são as midterms e por que elas têm esse nome?

Midterms - Eleitora preenche cédula de votação em Harrisburg, na Pensilvânia (EUA) — Foto: REUTERS/Mike Segar

As midterms são as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Elas recebem esse nome porque acontecem na metade do mandato presidencial.

  • As últimas eleições ocorreram em 2024. Trump tomou posse em janeiro de 2025, assim como os deputados e senadores eleitos naquele ano.
  • Em novembro de 2026, Trump estará na metade do mandato presidencial, enquanto os deputados eleitos em 2024 e os senadores eleitos em 2020 estarão perto do fim do mandato.
  • Os parlamentares eleitos nas midterms tomarão posse em janeiro de 2027.
  • Trump não disputa a eleição, e o mandato presidencial dele termina em janeiro de 2029.

A próxima eleição presidencial será em 2028. Na mesma data, haverá eleições para renovar todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço das vagas do Senado.

2. Quando será a eleição e quando sai o resultado?

A eleição está marcada para terça-feira (3). No entanto, a votação antecipada já começou em alguns estados, e parte dos eleitores já votou pelo correio.

Cada estado é responsável por apurar os próprios votos. Ao contrário do Brasil, os Estados Unidos não têm um órgão nacional como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável por coordenar as eleições em todo o país.

Em geral, a apuração começa assim que os locais de votação fecham. O horário varia de estado para estado. Na Flórida, por exemplo, a votação termina às 19h. Em Nova York, os eleitores têm até as 21h. No Tennessee, o horário varia de acordo com o condado.

Os primeiros resultados devem ser divulgados ainda na noite do dia 3. No entanto, pode levar dias até que seja possível saber qual partido terá o controle da Câmara e do Senado.

Em 2022, por exemplo, a disputa pelo controle da Câmara só foi definida mais de uma semana após a eleição. A demora ocorreu, entre outros fatores, porque alguns estados levam mais tempo para contar os votos enviados pelo correio.

3. Quais cargos estão em disputa?

O presidente dos EUA, Donald Trump, faz o discurso do Estado da União no plenário da Câmara do Capitólio dos Estados Unidos — Foto: Kevin Lamarque/Reuters

O sistema eleitoral dos Estados Unidos tem diferenças importantes em relação ao brasileiro. No Congresso, por exemplo, o Senado e a Câmara dos Representantes seguem regras diferentes.

No Senado, cada um dos 50 estados tem direito a duas cadeiras, independentemente do tamanho da população. Por isso, a Casa tem 100 senadores no total.

Já na Câmara dos Representantes, as 435 cadeiras são distribuídas entre os estados de acordo com a população. Cada deputado representa uma região, chamada de distrito eleitoral.

Nestas eleições, estão em disputa:

  • Todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil.
  • Os americanos também vão eleger 35 senadores. Ao todo, o Senado tem 100 cadeiras.
  • Também haverá eleições para governador em 36 estados americanos.

4. Trump não está nas urnas, mas por que essa eleição é crucial para ele?

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa em um comício de campanha em apoio ao candidato republicano ao Senado, Mike Collins, e ao candidato a governador, Rick Jackson, em Dalton, Geórgia, EUA, em 16 de outubro de 2026 — Foto: REUTERS/Kevin Lamarque

Nas eleições de 2024, o Partido Republicano, o mesmo de Trump, conquistou a maioria das cadeiras da Câmara e do Senado. Com isso, a legenda passou a controlar a pauta e as votações nas duas Casas.

Isso permitiu que Trump aprovasse pautas importantes para o governo dele. Ainda assim, ele enfrentou dificuldades, já que a maioria republicana é pequena e alguns parlamentares do partido contrariaram o presidente em votações.

Agora, Trump quer manter a maioria para continuar tendo apoio no Congresso. Uma derrota na Câmara, no Senado ou em ambas as Casas poderia dificultar a aprovação de projetos do presidente e abrir espaço para os parlamentares barrarem ações do governo e abrir investigações.

Para evitar o avanço democrata, Trump tem percorrido o país quase diariamente para participar de comícios eleitorais. Mais recentemente, prometeu pagar um bônus de até US$ 5 mil para cada adulto americano caso os republicanos vençam as eleições.

Nos meses anteriores, o presidente também estimulou e apoiou mudanças nos mapas eleitorais para favorecer o próprio partido em alguns estados e garantir assentos na Câmara.

Trump também adotou medidas para tentar restringir o voto pelo correio, alegando que há fraudes nesse modelo. Dados apontam que eleitores democratas são mais propensos a votar pelo correio do que os republicanos.

Ainda assim, existe um alerta na Casa Branca. A poucos dias das eleições, pesquisas apontam que a desaprovação do presidente gira em torno dos 60%.

5. Como está a disputa para o Senado?

Foto do Senado dos EUA, no Capitólio, em Washington, na madrugada de terça-feira, 8 de novembro de 2022 — Foto: J. Scott Applewhite/AP

Pesquisas e projeções recentes indicam que os democratas podem conquistar a maioria do Senado nas eleições de novembro.

Atualmente, os republicanos têm 53 cadeiras na Casa, enquanto os democratas contam com 47 senadores, incluindo dois independentes que costumam votar junto com o partido. As projeções indicam que esse cenário pode mudar a partir de 2027. Veja a seguir.

📊 Center for Politics da Universidade da Virgínia

O centro acadêmico acompanha as eleições nos EUA e reúne projeções sobre as disputas. Na última atualização, de 29 de outubro, o cenário era o seguinte:

  • Democratas: 49 cadeiras
  • Republicanos: 46 cadeiras
  • Disputas indefinidas: 5 cadeiras

📊 Race to the WH

A plataforma do jornalista político Logan Phillips projeta os resultados eleitorais com base em pesquisas. Em 30 de outubro, a previsão era a seguinte:

  • Democratas: 53 cadeiras
  • Republicanos: 47 cadeiras
  • Chance de vitória dos democratas: 78,4%

📊 270toWin

O site reúne projeções de diferentes fontes e apresenta cenários para a composição do Senado após as eleições. Na projeção consultada, o cenário era o seguinte:

  • Democratas: 48 cadeiras
  • Republicanos: 48 cadeiras
  • Disputas indefinidas: 4 cadeiras

6. Como está a disputa para a Câmara?

Câmara dos Representantes dos EUA. — Foto: Office of the Speaker of the House

De acordo com as pesquisas, o Partido Democrata é favorito para conquistar o controle da Câmara.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 19 de outubro apontou que 47% dos eleitores disseram que pretendem votar em um candidato democrata, enquanto 35% afirmaram que pretendem escolher um republicano.

Atualmente, os republicanos têm 218 cadeiras na Casa, enquanto os democratas contam com 214 deputados. Há ainda um deputado independente e duas vagas em aberto.

Assim como no Senado, as projeções indicam que esse cenário pode mudar a partir do ano que vem. Confira abaixo.

📊 Center for Politics da Universidade da Virgínia

O centro acadêmico acompanha as eleições nos EUA e reúne projeções sobre as disputas. Na última atualização, de 27 de outubro, o cenário era o seguinte:

  • Democratas: 225 cadeiras
  • Republicanos: 193 cadeiras
  • Disputas indefinidas: 17 cadeiras

📊 Race to the WH

A plataforma do jornalista político Logan Phillips projeta os resultados eleitorais com base em pesquisas. Em 30 de outubro, a previsão era a seguinte:

  • Democratas: 236 cadeiras
  • Republicanos: 199 cadeiras
  • Chance de vitória dos democratas: 95,2%

📊 270toWin

O site reúne projeções de diferentes fontes e apresenta cenários para a composição da Câmara após as eleições. Na projeção consultada, o cenário era o seguinte:

  • Democratas: 220 cadeiras
  • Republicanos: 196 cadeiras
  • Disputas indefinidas: 19 cadeiras

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Source: G1

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