O julgamento acontece no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo. O Ministério Público acusa Fernando de homicídio qualificado por perigo comum, na modalidade de dolo eventual — quando se assume o risco de matar —, e de lesão corporal gravíssima. Ao todo, 14 testemunhas devem ser ouvidas antes do interrogatório do réu.
Testemunhas confirmaram que Sastre havia consumido bebida alcoólica antes de dirigir. O filho da vítima relatou as dificuldades financeiras e psicológicas enfrentadas pela família após a morte do pai.
O primeiro a prestar depoimento foi Marcus Vinícius Rocha, amigo de Fernando, que estava no carro no momento do acidente. Ele foi ouvido como testemunha e vítima, porque também se machucou na colisão.
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Marcus confirmou que Fernando estava alterado por causa da bebida. Ele também afirmou que foi com o amigo no carro porque não queria deixá-lo sozinho.
O depoimento seguinte foi o de Lucas, filho de Ornaldo. Ele contou sobre os problemas psicológicos e financeiros enfrentados por ele, pela mãe e pelos dois irmãos após a morte do pai.
Segundo o relato, a família chegou a receber cestas básicas de parentes e de uma igreja evangélica. Os familiares ainda são cobrados pelo banco, porque o carro de Ornaldo era financiado.
A última pessoa ouvida, por videoconferência, foi a ex-namorada de Marcus. Ela também confirmou que Fernando havia bebido e estava cambaleante antes de dirigir.
A promotoria pede a condenação de Fernando Sastre a 20 anos de prisão. O julgamento deve terminar nesta quinta-feira (29). A defesa de Fernando Sastre sustenta que houve homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Acidente matou motorista de aplicativo e feriu passageiro
Vídeo mostra momento da batida de Porsche em carro de motorista de aplicativo
Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, morreu depois que o Renault Sandero que dirigia foi atingido na traseira pelo Porsche conduzido por Fernando, na madrugada de 31 de março de 2024.
A batida ocorreu na Avenida Salim Farah Maluf, na Zona Leste de São Paulo, e foi registrada por câmeras de segurança (veja imagem acima).
Segundo a acusação, Fernando dirigia após consumir bebida alcoólica e em velocidade muito acima do limite da via. Laudo do Instituto de Criminalística apontou que o Porsche estava a cerca de 136 km/h no momento do impacto, em um trecho com limite de 50 km/h.
Ornaldo foi socorrido e levado ao Hospital Municipal do Tatuapé, mas não resistiu. O filho dele, Luam Silva, escreveu nas redes sociais: “Um sentimento de injustiça gigantesco dentro de mim”. Ele também pediu que a Justiça fosse feita.
Fernando deixou o local da batida e se apresentou à polícia no dia seguinte. Ele está preso preventivamente desde 6 de maio de 2024.
O que diz a defesa
Jonas Marzagão, advogado de Fernando, diz que seu cliente é o único motorista envolvido em um acidente com morte que segue preso em São Paulo.
"Todos os reús nos casos similares estão respondendo em liberdade, inclusive com teste de bafômetro comprovando o uso do bebida alcoólica, e fuga do local de acidente. O que não aconteceu no caso de Fernando. Ele não fez o bafômetro na ocasião porque a polícia não tinha o aparelho para fazer no momento", falou Marzagão.
"Fernando não pediu socorro porque outras pessoas haviam telefonado e pedido, enquanto era retirado do carro. Mas ele ainda permaneceu no local do acidente até ser liberado pelas autoridades", completou o advogado.
Source: G1
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