Uma cerimônia importante do curso de graduação se transformou em um constrangimento para Renally Vidal, de 30 anos, estudante do curso de psicologia em uma universidade privada de Campina Grande. Isso porque ela, que tem Atrofia Muscular Espinhal (AME), utiliza cadeira de rodas, e, por barreiras de acessibilidade, precisou posar para a foto oficial da turma na parte de baixo do palco, separada dos colegas.

O caso ocorreu no dia 27 de outubro e gerou debates nas redes sociais sobre os desafios que pessoas com deficiência enfrentam diariamente. O evento em questão era a cerimônia em que os estudantes, no início do curso, recebem os seus jalecos, e foi realizado no teatro da instituição, a Unifacisa.

A estudante destaca que tornou o caso público para trazer reflexões sobre a acessibilidade em todos os espaços. “A questão não é simplesmente estar em cima ou embaixo de um palco. É sobre dignidade, igualdade de participação e, principalmente, respeito à pessoa com deficiência”.

Em nota, a Unifacisa lamentou o ocorrido e afirmou que foi causado por “uma falha na organização do fluxo de deslocamento para a foto coletiva final”. A instituição reconheceu o transtorno e se comprometeu a ouvir a estudante e “convidá-la a contribuir com a revisão dos fluxos operacionais, com o objetivo de aprimorar procedimentos e prevenir situações semelhantes”.

Barreiras desde o início

Renally Vidal relata que ela não iria receber o jaleco no palco por conta da falta de acessibilidade para subir de cadeira de rodas. A madrinha da estudante, que também é sua prima e fisioterapeuta, Ana Paula Vidal, discordou da decisão e conseguiu que ela acessasse o palco pela parte externa do teatro.

“Quero deixar claro: não foi uma iniciativa da universidade para garantir minha participação em igualdade de condições. Foi a insistência da minha madrinha que fez com que eu conseguisse receber o jaleco no palco, como os demais estudantes”.

Após a entrega do jaleco, no entanto, Renally não foi informada de que a cerimônia teria outras etapas. Segundo a estudante, o juramento da turma foi realizado na parte inferior do palco, mas, durante as fotografias oficiais com o coordenador do curso, ela ficou separada dos demais alunos, também na parte de baixo do palco.

A situação fez com que, mesmo após conseguir participar da entrega do jaleco no palco, Renally não tivesse as mesmas condições de participação dos colegas em todos os momentos da cerimônia.

“Emocionalmente, foi muito difícil. Naquele momento, eu travei. Não consegui reagir da maneira como talvez as pessoas esperassem. Só quem vive uma situação de exclusão sabe o impacto que ela causa. Eu estava realizando um sonho, começando uma etapa importante da minha vida, mas precisei lidar com a sensação de não pertencer a um espaço que também era meu”.

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Source: G1

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