Durante o encontro, as autoridades afirmaram que o governo federal criou uma força-tarefa para receber denúncias, acompanhar as investigações e buscar a responsabilização dos envolvidos.
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, explicou que equipes dos ministérios dos Direitos Humanos, dos Povos Indígenas e da Igualdade Racial vão atuar em conjunto para acompanhar os casos registrados em diferentes regiões do país.
Segundo ela, o trabalho também prevê medidas de proteção individual e coletiva, especialmente para comunidades indígenas que estejam sob ameaça.
Após denúncias, governo cria força-tarefa para proteger indígenas em MS — Foto: Reprodução TV Morena
"Mais do que promessa, mais do que foto, mais do que conversa, a gente precisa trazer entregas", afirmou a ministra. Ela disse que uma equipe especializada em programas de proteção foi levada à região para avaliar as necessidades das comunidades e discutir medidas de segurança.
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, afirmou que as primeiras providências foram tomadas ainda na segunda-feira (26), quando o governo começou a receber os relatos de ameaças e violência política.
De acordo com ele, os ministérios iniciaram a articulação no mesmo dia e encaminharam os primeiros documentos. Na terça-feira, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal já haviam aberto investigações.
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Terena também destacou que a proteção dos povos indígenas não é responsabilidade apenas do governo federal. Segundo ele, o governo estadual e as administrações municipais precisam assumir compromissos para garantir os direitos dessas comunidades.
"Os direitos dos povos indígenas só serão efetivamente concretizados quando cada agente público assumir a sua responsabilidade", disse.
O ministro afirmou ainda que a rapidez na abertura das investigações representa uma mudança em relação ao que acontecia anteriormente em Mato Grosso do Sul, onde, segundo ele, crimes contra lideranças indígenas demoravam a ser investigados.
Mais de 100 denúncias de ameaças e racismo
Insegurança marca rotina de indígenas em aldeia de MS — Foto: Arte g1
A deputada federal Sônia Guajajara afirmou que já foram registrados mais de 100 casos de ameaças e manifestações de racismo contra indígenas em Mato Grosso do Sul, São Paulo e outras regiões do país.
Ela disse que a visita a Coronel Sapucaia tem o objetivo de apurar as denúncias junto às forças de segurança que atuam na região, entre elas a Polícia Federal e a Força Nacional.
A parlamentar também afirmou que o governo pretende buscar a responsabilização dos envolvidos em crimes como ameaças, assassinatos e racismo.
"Estamos aqui para fazer valer esse direito, para fazer com que o direito constitucional seja cumprido", declarou.
Guajajara também relacionou a mobilização à vitória de Lula nas eleições e afirmou que o presidente tem o compromisso de proteger os povos indígenas.
As autoridades reforçaram que pretendem manter o acompanhamento das denúncias e trabalhar para garantir a segurança das comunidades.
Ameaça de envenenar água em Tacuru
A visita à aldeia Sassoró, programada para a tarde deste sábado (31) ocorre após a divulgação de áudios atribuídos a dois servidores da Prefeitura de Tacuru em que um dos homens sugere colocar veneno na água consumida pelos indígenas.
As gravações circularam nas redes sociais após o resultado do segundo turno das eleições e provocaram medo entre os moradores. Em um dos trechos, um dos interlocutores diz: "Tem que matar essas pragas na água".
A prefeitura confirmou que os dois homens são funcionários municipais. Um deles trabalha como motorista de caminhão-caçamba, ligado à Secretaria de Infraestrutura, e o outro atua na área de coleta de resíduos, vinculada ao Meio Ambiente.
Os dois foram afastados das funções e são alvo de processos administrativos para apurar a conduta. Os nomes dos servidores não foram divulgados oficialmente.
Segundo o cacique da aldeia Sassoró, Ivan Montiel, aproximadamente 98% das casas da comunidade têm água encanada, abastecida por poços artesianos. O relato aumentou a preocupação dos moradores diante da ameaça mencionada nas gravações.
O caso também é acompanhado por órgãos federais, entre eles a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União.
Até o momento, não foram encontrados indícios de que a água tenha sido envenenada. Em outra apuração, relacionada a denúncias de mortes na região, o MPF não encontrou elementos que confirmassem que as vítimas eram indígenas.
Força Nacional atua em territórios indígenas
A agenda dos ministros em Mato Grosso do Sul faz parte das medidas do governo federal para investigar denúncias de violência contra indígenas e reforçar a proteção das comunidades.
A Força Nacional de Segurança Pública já atua nos territórios indígenas. A visita também atende a uma determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pediu que representantes do governo fossem pessoalmente às comunidades para acompanhar a situação.
Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:
Source: G1
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