A endometriose acontece quando um tecido parecido com o que reveste o útero por dentro cresce fora dele. Na forma profunda, esse tecido penetra entre os órgãos da pelve e pode atingir os ligamentos que sustentam o útero, a vagina, o intestino, a bexiga e os ureteres, os canais que levam a urina dos rins até a bexiga. Duas mulheres com o mesmo diagnóstico podem ter doenças muito diferentes: em uma, as lesões são pequenas e superficiais; em outra, chegam a órgãos vizinhos. Por isso, saber que existe endometriose é só o começo.
Os sintomas nem sempre mostram o caminho
A intensidade da dor não indica o tamanho da doença, e o que a mulher sente nem sempre revela quais órgãos foram atingidos. O ureter é um exemplo. Segundo uma revisão citada em artigo publicado em 2026 no International Journal of Women's Health, até metade dos casos de endometriose nessa região acontece sem sintomas urinários. A obstrução silenciosa pode causar lesão progressiva e irreversível nos rins se não for descoberta a tempo.
O intestino também engana. A colonoscopia costuma sair normal, porque a endometriose atinge a parede externa do órgão, e não a camada interna, que é a que o exame enxerga.
Como se faz o mapa da doença
As diretrizes europeias de 2022 (ESHRE) mudaram a forma de investigar: a cirurgia deixou de ser o padrão-ouro para o diagnóstico, e os exames de imagem passaram a ocupar o primeiro lugar. O ultrassom transvaginal identificou cerca de 79% dos casos de endometriose profunda e acertou em 94% das vezes ao descartar a doença, segundo revisão Cochrane de 2016, resumida em comentário publicado em 2022 na Clinical and Experimental Reproductive Medicine. Esses são resultados médios de vários estudos: o desempenho depende de o exame ser feito com protocolo específico, por um profissional experiente.
Na prática, o exame costuma ser o ultrassom transvaginal com preparo intestinal, que melhora a visualização do reto e do sigmoide, a parte final do intestino. A ressonância magnética da pelve entra como complemento nos casos inconclusivos ou mais complexos. Já o ultrassom comum, feito sem protocolo para endometriose, muitas vezes não encontra a doença.
"Para a cirurgia, mapear é muito mais importante do que apenas confirmar", afirma Tiago Castilho, cirurgião oncológico com atuação em cirurgia ginecológica e cirurgia de endometriose profunda. "O melhor exame é aquele feito com protocolo para endometriose, por um profissional experiente. O exame correto é o que vai guiar o cirurgião no ato cirúrgico, por isso é tão importante", explica.
Por que a extensão muda o tratamento
Saber até onde a doença chegou define se será preciso envolver outros especialistas, como um cirurgião do aparelho digestivo ou um urologista, qual preparo a paciente precisa fazer e o que esperar da recuperação. Também ajuda a decidir se o caminho é o tratamento clínico ou a cirurgia. Para entender quais exames pedir e como se preparar para a consulta, vale a leitura do artigo Quais exames essenciais para a cirurgia de endometriose?.
Investigação e cuidado especializado
Saber que existe endometriose é apenas parte do diagnóstico. Em casos profundos, compreender quais estruturas estão envolvidas é essencial para planejar adequadamente o tratamento.
Há mais de 10 anos, Tiago Castilho atua no atendimento e no tratamento cirúrgico da endometriose, incluindo casos de maior complexidade pélvica. Sua experiência em videolaparoscopia e cirurgia robótica permite utilizar técnicas minimamente invasivas quando indicadas, associadas ao planejamento multidisciplinar e ao Cuidado 360º.
Para mais informações ou agendamento de consulta, entre em contato pelo telefone (44) 99169-8161.
Tiago Castilho é Cirurgião Oncológico com atuação em Cirurgia Ginecológica e Cirurgia de Endometriose Profunda, mestre e doutor na área, com mais de 10 anos de experiência no tratamento cirúrgico da doença. CRM-PR 22590 | RQE 2911 | RQE 844.
Source: G1
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