O levantamento do g1 por bairro permite que o eleitor descubra como votou a região onde mora no segundo turno e identifique quais áreas concentraram os maiores percentuais para cada candidato na disputa presidencial. Além de mostrar ao eleitor ver a diferença entre o primeiro dia de votação. Confira o mapa mais abaixo.

Apesar de não ter sido eleito presidente do Brasil, Flávio Bolsonoro foi o campeão de votos em Uberaba, tanto no primeiro quanto no segundo turno.

Confira no mapa abaixo como foi a votação, por bairro, nos dois turnos das eleições 2026 e os locais que apresentaram mudança de votos.

Cidade dividida ao meio

Dos 26 bairros de Uberaba com locais de votação, Lula venceu em 13 e Flávio Bolsonaro em outros 13. Apesar do equilíbrio numérico, os maiores percentuais foram registrados em redutos favoráveis ao petista.

O bairro Santa Cecília - que abrange o Residencial Rio de Janeiro e outras áreas ainda não loteadas - foi deu a maior vantagem para Lula. Na região, o candidato alcançou 73,66% dos votos válidos, o maior percentual registrado entre todos os bairros da cidade. Outros principais redutos lulistas foram Grande Horizonte (65,22%), Jockey Park (64,91%) e Residencial 2000 (64,82%).

Entre os bairros favoráveis a Flávio Bolsonaro, o melhor resultado foi registrado no Centro, onde o candidato recebeu 64,89% dos votos válidos. Na sequência aparecem São Benedito (61,69%), Mercês (61,40%) e Estados Unidos (61,02%).

Bairros mais disputados

Algumas regiões registraram diferenças pequenas entre os candidatos, sinalizando uma disputa bastante equilibrada. Foi o caso de:

  • Parque das Américas, onde Lula liderou com 50,22%;
  • Boa Vista, onde Flávio Bolsonaro venceu com 50,27%;
  • Recreio dos Bandeirantes, com 51,09% para Flávio Bolsonaro;
  • Abadia, com 51,45% para Flávio Bolsonaro;
  • Parque Tecnológico, com 51,66% para Lula.

Nesses bairros, uma pequena mudança no comportamento do eleitorado poderia ter alterado o resultado local.

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O que explica as diferenças?

Para Moacir de Freitas, a concentração da abstenção em determinados territórios pode estar associada a fatores socioeconômicos e de acesso, embora pesquisas específicas sejam necessárias para confirmar as causas.

Segundo ele, historicamente os maiores índices costumam aparecer em regiões onde vivem pessoas com menor renda e escolaridade. O professor aponta que mudanças de endereço, pendências eleitorais e dificuldades de deslocamento frequentemente entram na equação.

"Tudo isso provavelmente são fatores que vão influenciar. Pode acontecer de a pessoa morar hoje em um lugar diferente daquele onde está cadastrada e acabar não votando por causa do deslocamento ou por questões burocráticas", disse.

Desinteresse e sensação de distância da política

Além dos obstáculos práticos, o especialista avalia que parte da abstenção está relacionada ao afastamento dos eleitores do debate político.

"Quanto mais pressionadas pelas dificuldades do dia a dia as pessoas estão, mais podem se desconectar da política. Muitas vezes chega-se à conclusão de que votar ou não votar não muda a rotina imediata, embora isso não seja verdade", afirmou.

Para ele, existe uma dificuldade em associar decisões políticas aos impactos concretos na vida da população.

"É difícil conectar a política com quem está preocupado em resolver problemas urgentes, como pagar contas ou sustentar a família. Mas a vida real e a política são uma coisa só".

O que observar no segundo turno

Na avaliação de Moacir, disputas equilibradas tendem a mobilizar mais eleitores, o que pode ajudar a reduzir a abstenção no segundo turno.

"Quando a eleição está acirrada, as pessoas tendem a participar mais porque já tomaram partido e fazem questão de demonstrar essa escolha nas urnas", afirmou.

O especialista pondera, porém, que a ausência de uma disputa estadual em segundo turno pode atuar no sentido contrário. "Como não haverá segundo turno para governador, isso reduz o volume da campanha. Algumas pessoas podem até esquecer que há votação. Ainda assim, a tendência é de uma participação semelhante à observada em eleições muito disputadas".

O professor avalia que o cenário atual se assemelha ao observado em 2022, quando o segundo turno registrou maior engajamento do eleitorado em relação ao primeiro dia de votação.

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Source: G1

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