As parlamentares protocolaram um ofício em caráter de urgência nos órgãos, solicitando a apuração dos fatos, a identificação e a responsabilização dos envolvidos, além da adoção de medidas imediatas para garantir a segurança das comunidades indígenas no estado.

“É fundamental que as autoridades competentes atuem com urgência para proteger vidas e assegurar que essas ameaças não fiquem impunes”, publicou Sônia Guajajara nas redes sociais.

Da esquerda para direita, Célia Xakriabá (PSOL-MP) e Sônia Guajajara (PSOL-SP). — Foto: Reprodução/Instagram.

O áudio com as ameaças, que faz referência à água consumida pelos indígenas da Aldeia Sassoró, em Tacuru, teria sido gravado por um servidor da prefeitura do município. Segundo o prefeito Rogério Torquetti, o funcionário foi afastado após a repercussão do caso e é alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).

O nome do funcionário público não foi divulgado.

A suspeita de que a declaração tenha sido feita por um funcionário da prefeitura, após a reeleição do presidente Lula (PT), foi denunciada por lideranças indígenas nesta terça-feira (27). Veja o vídeo acima. O caso também levou o governo federal a acionar a Polícia Federal (PF) para investigar as ameaças.

Diante da polêmica, o prefeito de Tacuru pediu que a comunidade perdoasse o comentário do servidor.

Investigação

O governo federal acionou a Polícia Federal (PF) para investigar denúncias de ameaças e manifestações racistas contra povos indígenas de Mato Grosso do Sul após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Entre os relatos estão denúncias de mortes, atropelamentos e ameaças em outras cidades do estado. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) e a Polícia Federal não confirmaram mortes relacionadas à violência política.

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As denúncias ganharam repercussão após publicações nas redes sociais feitas pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). A entidade acionou o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), que encaminhou à PF uma denúncia sobre o caso de Tacuru e pediu a apuração dos fatos.

🔎O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, afirmou que o governo federal mapeia denúncias de ameaças e violência contra comunidades indígenas, quilombolas e povos de terreiro em Mato Grosso do Sul e em outras regiões do país. Segundo ele, os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial formaram uma força-tarefa para dar prioridade aos casos.

“Tomei conhecimento ontem deste fato gravíssimo e ontem mesmo nossa equipe fez contato, qualificou as informações e ontem mesmo acionei a Polícia Federal”, afirmou o ministro ao g1.

Denúncia relata falas racistas e ameaça contra aldeia em Tacuru

Entrada de Tacuru. — Foto: Reprodução Instagram.

O Ministério dos Povos Indígenas encaminhou à Polícia Federal, na segunda-feira (26), uma denúncia apresentada por um representante da Aldeia Sassoró, em Tacuru.

Segundo o documento ao qual o g1 teve acesso, a comunidade relatou manifestações racistas e discriminatórias atribuídas a pessoas supostamente ligadas à prefeitura do município.

Conforme a denúncia, áudios de um servidor público de Tacuru circularam pelo WhatsApp. O conteúdo mencionava a possibilidade de colocar substâncias tóxicas na água consumida pelos moradores. A identidade de quem gravou não foi divulgada e as circunstâncias da conversa são apuradas.

O documento também informa que as pessoas citadas estariam ligadas à prestação de serviços públicos na aldeia, como o abastecimento de água por caminhão-pipa e a coleta de resíduos da escola e do posto de saúde.

O ministério pediu à PF que investigue a origem e a autenticidade dos áudios, identifique os responsáveis e avalie se houve crime. Também solicitou a análise de medidas preventivas para proteger a comunidade e garantir a segurança da água consumida pelos moradores.

O próprio MPI informou no documento que não há comprovação de que a água tenha sido contaminada e pediu investigação.

Cacique diz que vai buscar responsabilização

O cacique Ivan Montiel, liderança da Aldeia Sassoró e vereador de Tacuru, publicou um vídeo nas redes sociais em que condena as falas atribuídas a pessoas citadas na denúncia. Ele afirmou que pretende buscar a responsabilização dos envolvidos nas esferas criminal e cível.

No vídeo, Montiel disse que recebeu o áudio e a comunidade já identificou as pessoas envolvidas. A identidade dos citados e a participação deles no caso, no entanto, ainda precisam ser verificadas pelas autoridades.

“Eu gostaria de deixar aqui na condição de cacique e vereador da aldeia Sassoró que não vamos aceitar este tipo de preconceito contra nossa comunidade, ameaçando colocar veneno em água”, afirmou.

Montiel também defendeu o direito dos indígenas de escolher livremente seus candidatos nas eleições.

“Porque nós povos indígenas temos o direito, como qualquer cidadão, de escolher quem vamos votar”, disse.

A Aty Guasu, Grande Assembleia dos povos Guarani e Kaiowá de Mato Grosso do Sul, também publicou uma manifestação contra o racismo, o preconceito e as ameaças denunciadas.

APIB relata mortes, atropelamentos e ameaças em outras cidades

Acidente aconteceu na madrugada de sábado (24), na MS-289 — Foto: PMR

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil informou que acionou órgãos federais após receber denúncias de violência contra indígenas em Mato Grosso do Sul. Segundo a entidade, os relatos incluem casos ocorridos após o segundo turno das eleições presidenciais.

Entre os casos citados pela APIB estão mortes em Naviraí, atropelamentos em Coronel Sapucaia, ameaças de morte e manifestações racistas. A entidade também relatou suspeitas de envenenamento da água em comunidades de Tacuru e Nioaque.

A organização encaminhou um ofício e uma representação criminal ao Ministério Público Federal (MPF), à Polícia Federal e a órgãos do governo federal, incluindo os ministérios da Justiça e Segurança Pública, dos Povos Indígenas e dos Direitos Humanos e da Cidadania.

A APIB pediu a investigação dos casos, a proteção das comunidades ameaçadas e a apuração de possíveis omissões das forças policiais.

Em nota, a entidade manifestou preocupação com os relatos e cobrou medidas para proteger as comunidades indígenas e responsabilizar os envolvidos, caso as denúncias sejam confirmadas.

Um indígena, que não teve o nome divulgado, morreu após ser atropelado na madrugada de sábado (24), na MS-289, no trecho entre Coronel Sapucaia e Amambai. Ainda não se sabe a circunstância do acidente que acabou em morte.

Sejusp nega ocorrência de genocídio

Procurada pelo g1, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul afirmou que não procede à afirmação de ocorrência de genocídio contra povos indígenas no estado.

Em nota, a pasta declarou que as forças de segurança atuam quando acionadas para preservar a ordem pública, prevenir conflitos e garantir a segurança das pessoas envolvidas. Leia a nota na íntegra abaixo:

"A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) informa que não procede a afirmação de ocorrência de genocídio de povos indígenas no Estado. As forças de segurança atuam mediante acionamento, com o objetivo de preservar a ordem pública, prevenir conflitos e garantir a segurança de todos os envolvidos, contribuindo para a manutenção da paz no campo e a prevenção de confrontos em áreas rurais".

O g1 também procurou o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a Polícia Civil. O Cimi informou que apura as ocorrências.

Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

Source: G1

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