Em Limeira (SP), um projeto desenvolvido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) oferece a esses jovens um espaço para explorar conhecimentos, aprofundar interesses e conviver com pessoas que compartilham experiências semelhantes.

Criada há dois anos, a iniciativa atende cerca de 60 alunos. As aulas são organizadas por estudantes da Faculdade de Tecnologia da universidade. A proposta é ir além do conteúdo escolar tradicional e respeitar o ritmo de cada participante.

Para os jovens, o espaço vai além do ensino acadêmico. O estudante Adam, por exemplo, frequenta o local há poucos meses e já estuda cálculo avançado. "Eu venho pelo menos uma vez por semana e acho legal que sempre aprendo um pouquinho mais", conta.

Já Bento, aluno do sexto ano, aproveitou o projeto para estudar inteligência artificial. "Eu gostei de entender o comportamento dela, quando ela foi criada, para que ela foi criada", diz.

Sinais e diagnóstico

Na rede estadual de ensino de São Paulo, o número de estudantes identificados com altas habilidades aumentou cerca de 30% em 2025. Atualmente, o estado tem 5.660 alunos com esse perfil.

Segundo a pedagoga Maraiza Nocolini, a superdotação apresenta características que ajudam famílias e escolas na identificação. Veja abaixo:

  • Não é doença: a condição não é um transtorno e não possui Classificação Internacional de Doenças (CID);
  • Funcionamento do cérebro: altera a maneira de pensar, sentir, agir e processar informações;
  • Sinais de alerta: crianças podem apresentar comportamento mais agitado, inquieto ou desafiador na sala de aula ou em casa.

Rede de apoio

A partir da convivência no projeto, famílias criaram em 2024 uma associação que já conta com 160 crianças e adolescentes cadastrados, com idades entre 3 e 18 anos. A entidade encaminha os jovens para as oficinas da Unicamp e para atendimentos em educação especial.

O físico e professor Yuri Meyer, que também tem altas habilidades, coordena o projeto na universidade. Para ele, o modelo tradicional de ensino, muitas vezes baseado na memorização, não atende às necessidades desses estudantes. Segundo o professor, eles buscam compreender as razões por trás de cada conteúdo.

"Nós estamos promovendo aquilo que falta dentro das escolas. Trabalhar projetos, trabalhar novas ideias, novos fomentos", afirma Meyer.

O coordenador ressalta que o trabalho aproxima os participantes da universidade e da pesquisa científica. Alguns alunos, inclusive, já manifestam o desejo de estudar na Unicamp e seguir carreira acadêmica.

"Já temos, obviamente, crianças que falam: 'Poxa, quero estudar na Unicamp um dia, quero estar ali como aluno, depois como pesquisador'. Então, eu acho que a gente fortalece não somente o ensino, mas também a pesquisa nacional", conclui.

Unicamp reúne crianças superdotadas em oficinas de conhecimento em Limeira — Foto: Reprodução/EPTV

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Source: G1

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