A ação prevê o cumprimento de 74 medidas judiciais. Entre elas estão 10 mandados de prisão preventiva, 18 de busca e apreensão, 18 autorizações para acesso a dados de aparelhos eletrônicos, 15 quebras de sigilo bancário e 13 ordens de bloqueio de valores que chegam a aproximadamente R$ 240 mil.

As diligências ocorrem em Cuiabá e Rondonópolis, em Mato Grosso, além de Joinville, em Santa Catarina, e São Luís, no Maranhão. A operação conta com a participação das polícias civis dos três estados e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

O caso começou a ser investigado depois que um caixa eletrônico instalado dentro de um supermercado, no bairro Praia Grande, em Várzea Grande (MT), foi invadido na madrugada de 21 de janeiro de 2026. Para abrir o equipamento, os criminosos utilizaram uma lança térmica, ferramenta industrial capaz de cortar materiais resistentes. Mesmo com o acionamento do mecanismo de segurança, que libera tinta sobre as notas para impedir sua circulação, os suspeitos conseguiram levar R$ 105 mil.

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A partir desse episódio, os investigadores identificaram outros ataques com características semelhantes. Ao todo, foram relacionados seis furtos cometidos entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026 em Cuiabá e Várzea Grande.

Segundo a investigação, os criminosos seguiam um padrão de atuação: faziam aberturas em paredes, utilizavam lonas para esconder a luminosidade produzida durante os cortes e recorriam à lança térmica para alcançar o dinheiro guardado nos cofres.

As investigações apontaram que a organização criminosa era dividida em núcleos, com integrantes responsáveis por diferentes etapas do esquema. Enquanto alguns participavam diretamente dos arrombamentos, outros cuidavam da retirada da tinta de segurança das notas, do uso de equipamentos tecnológicos e da distribuição dos valores obtidos com os furtos. Para recuperar o dinheiro, os suspeitos utilizavam produtos químicos e materiais específicos para remover a tinta impregnada nas cédulas.

Depois desse processo, os valores eram depositados em pequenas quantias e distribuídos entre diferentes contas bancárias. A prática, conhecida como smurfing, consiste em fracionar movimentações financeiras para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.

Parte dos recursos também era encaminhada a terceiros, que recebiam depósitos em suas próprias contas. Imagens de câmeras de segurança de instituições financeiras e outros elementos reunidos durante a investigação ajudaram a identificar os envolvidos nas diferentes fases da atividade criminosa.

As diligências ocorrem em Cuiabá e Rondonópolis, em Mato Grosso, além de Joinville, em Santa Catarina, e São Luís, no Maranhão — Foto: Reprodução

Suspeitos vinham de outros estados para cometer os furtos

A apuração também revelou que o grupo não se limitava a Mato Grosso. Integrantes que moravam principalmente em Santa Catarina viajavam até o estado para participar dos ataques. Os investigadores ainda encontraram indícios de ligações dos suspeitos com atividades criminosas anteriores no Rio de Janeiro e em Alagoas.

Além das prisões e buscas, a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 239.980,52 em contas e outros ativos financeiros dos investigados. O montante corresponde aos prejuízos calculados em quatro dos furtos apurados até o momento. O valor poderá ser revisto conforme o avanço das análises financeiras e a identificação de novos prejuízos relacionados ao esquema.

Source: G1

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