Tradicional no cultivo de uvas e oliveiras, a propriedade do produtor rural Leonardo Sgargeta Ustulin, em Barra Bonita (SP), ganhou uma nova aposta: o cacau. Ele iniciou um projeto pioneiro na região centro-oeste do estado ao plantar 800 mudas em uma área de um hectare, diversificando a renda da fazenda.
Como a planta ainda está no início do ciclo e em fase de fixação das raízes, Leonardo adotou uma técnica de consórcio: plantou feijão-guandu entre as fileiras para criar sombra natural e proteger as folhas jovens do cacaueiro contra o sol forte.
A expectativa é realizar a primeira colheita dentro de três anos e, mais adiante, passar a processar a própria amêndoa. Confiante no desenvolvimento da lavoura, o agricultor já planeja uma segunda etapa do projeto, com a expansão do plantio para mais dois hectares.
A iniciativa conta com respaldo técnico e científico. O avanço do fruto pelo interior paulista faz parte de um programa de incentivo conduzido pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo que iniciou as pesquisas a partir do polo de São José do Rio Preto.
A expansão do fruto em solo paulista atende a uma demanda estratégica de mercado. Embora o Brasil figure entre os dez maiores produtores globais da commodity — concentrada historicamente nos estados do Pará e da Bahia, onde o quilo é cotado em média entre R$ 15 e R$ 16 —, o volume nacional não supre o consumo interno, obrigando o país a importar o produto.
Nesse cenário, São Paulo surge com vantagem competitiva: por ser o maior mercado consumidor de chocolate do país, a produção local reduz distâncias de frete e facilita a entrega direta para agroindústrias e confeitarias artesanais.
Veja a reportagem exibida no programa em 8/11/2026:
Cultivo de cacau dá os primeiros passos no centro-oeste paulista
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Source: G1
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