Era uma terça-feira comum quando, nas primeiras horas da manhã, milhões de paraguaios acordam sem conseguir acessar suas contas no banco Ueno, um dos maiores do país. O Banco Central do Paraguai havia intervindo na instituição.
Esse é o relato do exportador de grãos gaúcho Pedro Bergallo, que mora há 7 anos no país vizinho e reside na capital Assunção.
"As pessoas se desesperaram. Foi um tumulto muito grande. As pessoas se dirigiram até a frente das agências e, quando chegaram, se depararam com uma carta colada nos vidros das agências com uma carta do Banco Central explicando o porquê do fechamento", conta.
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Ele mesmo, que produz e industrializa arroz, milho e soja para exportação, possuía conta no Ueno e ficou sem ter acesso a parte de seus recursos. Cerca de dois dias depois, contudo, conseguiu recuperar.
"Eu tinha conta no Ueno, tinha um dinheiro que não era nada muito elevado, mas ficou retido e hoje (quinta-feira, 5) estou conseguindo a devolução desses fundos, assim como a maioria da população. Já pude recuperar o dinheiro que eu tinha no banco", afirma.
Pedro destaca que a crise impactou principalmente os mais pobres do país, e especialmente aqueles que tinham no Ueno o único lugar onde mantinham seu dinheiro.
"Gerou uma calamidade pública. As pessoas passaram a entrar em desespero, principalmente quem não tinha plano B ou C em outras instituições financeiras. Teve muita gente de baixa renda que depositou sua confiança e seu dinheiro nesse banco."
Na última semana, ele e os quase 6,5 milhões de habitantes do país estiveram envolvidos em um turbilhão de informações e reviravoltas de uma forma que ele afirma nunca ter vivido no Paraguai e nem no Brasil.
"Qual é o resultado prático da questão do banco Ueno? Oito diretores presos, o presidente da República impeachmado e o presidente do Banco Central fora também. Imagina: em apenas três dias a gente tem essa quantidade de acontecimentos."
A situação que culminou em uma das semanas mais politicamente intensas no Paraguai nas últimas décadas começou há cerca de dois anos.
"O Paraguai ainda tinha um mercado financeiro muito arcaico. Ainda usavam a TED, tu transferia às 8h e chegava ao meio-dia. Ainda se usava muito dinheiro físico. E veio o banco Ueno com uma ideia de um banco digital e nada mais", relata.
"Ele lança uma campanha massiva de criação de contas em 2024 e 2025. Começaram a liberar crédito com condições muito vantajosas. Muita gente usufruiu disso, inclusive eu. Tinha políticas de desconto muito efetivas em quase todas as lojas do país, posto de combustíveis, supermercado, shopping, cinema, tinham um desconto quase que inigualável em todas os estabelecimentos comerciais do país", complementa.
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Source: G1
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