Segundo o delegado André de França Oliveira, inicialmente, o empresário realizou os pagamentos de forma correta após retirar os veículos da concessionária e negociá-los com as prefeituras. No entanto, depois de um tempo, ele negociou outros automóveis e não repassou os valores adquiridos.
Cada veículo está avaliado em cerca de R$ 230 mil.
"O que nós identificamos é que isso passou de uma estratégia para ganhar confiança da empresa vítima para que, em um segundo momento, fossem retirados 15 veículos e esses veículos passaram por procedimentos licitatórios públicos em vários estados da federação, e esse empresário, esse investigado, recebeu esses valores e não repassou à empresa vítima", afirmou o delegado.
A princípio, as prefeituras e a concessionária de veículos não são investigadas.
Empresário é suspeito de chefiar esquema de golpes envolvendo negociações de veículos com prefeituras de todo o país — Foto: Polícia Civil
A suspeita é de que o empresário usava empresas de fachada registradas em nome de pessoas próximas para participar de licitações em diferentes municípios do país.
Essas empresas eram constituídas pouco tempo antes da realização das negociações e, após a aquisição desses veículos e a obtenção dos valores, elas promoviam a alteração no quadro societário. Tempos depois, as empresas eram extintas.
Para os investigadores, as mudanças podem ter sido feitas para dificultar a identificação dos verdadeiros responsáveis.
De acordo com a polícia, o grupo é composto por quatro pessoas, sendo o empresário principal e os "laranjas".
Ocultação de patrimônio
Outro ponto apurado pela polícia é o uso de bens do empresário registrados em nome de terceiros.
Segundo os investigadores, o apartamento alugado onde o suspeito mora e um carro de alto valor usado por ele não estão registrados no próprio nome. A suspeita é que a medida tenha sido adotada para esconder patrimônio.
"Diversos bens de alto valor estão constituídos em nome desses laranjas que estão incluídos na investigação. Então, o próximo passo da investigação vai ser trilhar esse caminho", destaca o delegado.
Polícia Civil do Estado de São Paulo deflagrou nesta terça-feira (27) a primeira fase da Operação Sócio Oculto — Foto: Polícia Civil
Como o esquema funcionava, segundo a polícia
As investigações começaram em fevereiro deste ano, depois que uma concessionária ligada a uma montadora francesa denunciou o caso.
Segundo a apuração, veículos eram retirados diretamente da montadora com a justificativa de atender contratos fechados com prefeituras e outros órgãos públicos.
A polícia afirma que o empresário havia sido contratado pela concessionária de Piracicaba para comercializar veículos da marca em licitações públicas. Os carros teriam sido entregues para cumprir os contratos, mas os valores das operações não teriam sido repassados à fabricante.
Com isso, a concessionária ficou responsável pelas obrigações assumidas com a montadora e arcou com o prejuízo.
Com autorização da Justiça, equipes da Polícia Civil cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados em São Paulo (SP) e Salto (SP).
Durante a operação, foram apreendidos documentos e aparelhos eletrônicos. Segundo a polícia, o material pode ajudar a esclarecer o caso, rastrear o destino do dinheiro e identificar outros envolvidos.
Polícia Civil do Estado de São Paulo deflagrou nesta terça-feira (27) a primeira fase da Operação Sócio Oculto — Foto: Polícia Civil
Source: G1
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