A equipe do g1 teve acesso a prints de um grupo chamado "Direita Cachoeiras", com cerca de 300 integrantes. Nas mensagens, participantes orientam os membros a "procurar se informar qual comércio são de esquerdas e evitar comprar nesses lugares".
No grupo, os integrantes passaram a trocar informações sobre comerciantes da cidade e elaboraram uma lista classificando-os como de esquerda ou de direita.
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A profissional de Educação Física, Letícia Botelho, de 28 anos, está entre as pessoas citadas na lista. Em uma das mensagens, um integrante a classificou como "petista" e afirmou ter deixado de frequentar suas aulas por esse motivo.
Ao g1, Letícia contou como reagiu ao tomar conhecimento da situação.
"Eu trabalho com todo o tipo de público. Projetos sociais, terceira idade, crianças... Eu fiquei extremamente indignada com essa informação de que sou de esquerda e que eu falo mal das pessoas de direita. Eu sou uma pessoa que prezo por respeito e meus alunos sabem disso. Quando vi a mensagem, soube que era uma tentativa de me boicotar porque não condizia com a verdade", afirmou.
Ela informou que pretende ingressar com uma ação judicial contra os responsáveis pela mobilização.
"Isso é crime de incitação ao ódio e não pode ficar assim. Eu não estou com medo de perder os alunos que eu já tenho, porque eles sabem da minha essência, mas eu posso deixar de ganhar novos alunos e esse dano é irreversível", destacou.
A profissional informou que pretende ingressar com uma ação judicial contra os responsáveis pela mobilização. — Foto: Redes sociais
Durante a mobilização, alguns participantes se manifestaram contra a iniciativa. "Pessoal, uma informação, divulgar lista de empresas para fazer boicote por motivação e opinião política configura crime (...). Sei que todos estão apreensivos, mas devemos fazer as coisas de forma correta", escreveu um dos membros.
Nas redes sociais, um dos fundadores do grupo "Direita Cachoeiras", Guilherme Villar, criticou a iniciativa. Em vídeo publicado na internet, ele afirmou que "algumas pessoas que não aceitaram a derrota de domingo fizeram uma lista com comerciantes de esquerda e de direita tentando, literalmente, promover o boicote".
Segundo ele, a atitude foi equivocada porque os comerciantes movimentam a economia do município, geram empregos e sustentam famílias da cidade.
"Eu achei uma total falta de respeito, consideração e antidemocrático você vincular a profissão de uma pessoa com a ideologia política dela", declarou.
A Associação Comercial e Empresarial de Cachoeiras de Macacu (Acecam) também manifestou preocupação com os impactos da iniciativa para o comércio local e com a circulação de listas que classificam empresários por posicionamento político.
Em nota, a entidade afirmou que "divergências políticas fazem parte de uma sociedade democrática, mas não devem ser motivo para hostilidade, constrangimento ou tentativas de prejudicar o trabalho e o sustento de quem empreende em nosso município".
A associação também declarou que "Cachoeiras de Macacu precisa de união, diálogo e incentivo ao empreendedorismo. Nosso comércio já enfrenta desafios diários e não precisa de mais divisões. Precisa de consumidores, oportunidades, geração de empregos e de uma comunidade que valorize quem trabalha e contribui para o desenvolvimento da cidade".
O g1 entrou em contato com o Ministério Público Federal para saber se o caso foi denunciado, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
A reportagem também procurou Guilherme Villar, citado como organizador do grupo "Direita Cachoeiras", mas não recebeu resposta.
Integrantes passaram a trocar informações sobre comerciantes da cidade e elaboraram uma lista classificando-os como de esquerda ou de direita. — Foto: Redes sociais
Source: G1
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