O crescimento também aparece nos recursos destinados ao programa. Entre janeiro e setembro deste ano, foram empenhados R$ 1,23 milhão, aumento de 56% em relação aos R$ 789,9 mil registrados durante todo o ano anterior. Os valores incluem novas concessões e prorrogações.

Criado em julho de 2023, o auxílio oferece atualmente R$ 994 mensais para custear o aluguel de um imóvel. O objetivo é permitir que mulheres em situação de violência doméstica encontrem um lugar seguro para morar e consigam romper a dependência financeira dos agressores.

Para uma das beneficiárias, que preferiu não se identificar, a ajuda foi decisiva depois que o ex-companheiro destruiu a casa onde viviam, os brinquedos do filho e os materiais que ela usaria para trabalhar.

"Foram muitas idas e vindas, muitas agressões físicas e emocionais. E aí, um dia, eu descobri uma traição e decidi encerrar o relacionamento. Ele não aceitou e quebrou toda a minha casa", conta.

'Sair é difícil, não retornar é mais difícil ainda'

Vítima de violência em Campinas (SP) teve os equipamentos de trabalho destruídos pelo ex-companheiro — Foto: Reprodução/EPTV

A mulher conta que havia acabado de comprar os móveis da residência alugada quando decidiu terminar o relacionamento. Além de destruir os objetos da família, o ex-companheiro quebrou tudo o que ela havia comprado para montar um espaço de atendimento profissional.

"Ele quebrou os brinquedos do próprio filho. O pouco que sobrou foi um colchão e um sofá. Eu estava ainda mobiliando um espaço onde seria o meu espaço de atendimento e ele quebrou tudo. Então eu saí sem ter nem como trabalhar."

Sem renda e com crianças para sustentar, ela precisou encontrar uma alternativa para não voltar ao agressor. Foi quando soube da existência do auxílio-moradia.

"Eu não teria conseguido ter onde ficar com as crianças se não tivesse conhecimento desse auxílio, se alguém não tivesse me dito que ele existia."

Segundo ela, a insegurança financeira é uma das principais barreiras enfrentadas por mulheres que tentam deixar relacionamentos violentos.

"A nossa maior dificuldade em sair do relacionamento é justamente essa: pensar o que é que eu vou fazer, onde é que eu vou ficar, o que é que eu vou comer, o que é que eu vou dar para as crianças comerem."

Ela conta que precisou aceitar a ajuda de outras pessoas para resistir à dependência emocional e não voltar ao agressor.

"Não é fácil, é muito difícil, porque entra uma violência psicológica tão grande que você entende que é dependente daquele homem", afirma.

Hoje, depois de reconstruir a vida profissional, ela espera que outras mulheres saibam que não precisam enfrentar a violência sozinhas.

"Quando você tem um norte, consegue entender que não está sozinha. Hoje já consigo viver do meu trabalho e consegui recomeçar e me refazer. [...] Sair é difícil. Não retornar é mais difícil ainda. É difícil recomeçar, mas não é impossível."

Benefícios em alta

Desde que começou a funcionar, no segundo semestre de 2023, o programa registrou aumento anual no número de concessões.

Veja os dados da Prefeitura de Campinas:

Auxílios a vítimas de violências concedidos em Campinas (SP)

Ano Auxílios concedidos Valor empenhado
2023 (julho a dezembro) 20 R$ 29.043
2024 76 R$ 484.696
2025 108 R$ 789.902
2026 (até setembro) 111 R$ 1.232.086

Os valores incluem novas concessões e prorrogações de benefícios.

A secretária de Desenvolvimento e Assistência Social de Campinas, Vandecleya Moro, atribui o crescimento à maior conscientização das mulheres sobre seus direitos e à organização da rede de proteção.

"Cada mulher que tem acesso ao auxílio-moradia é uma vida salva, é uma família salva. A gente sabe que a maioria dessas mulheres tem crianças pequenas", afirma.

Como conseguir o auxílio

Secretária de Desenvolvimento e Assistência Social de Campinas, Vandecleya Moro — Foto: Reprodução/EPTV

O auxílio-moradia é destinado exclusivamente ao pagamento de aluguel residencial. Segundo a Prefeitura, o programa busca garantir que as mulheres possam deixar o ambiente de violência sem ficar desamparadas.

Para solicitar o benefício, é necessário:

  • Morar em Campinas;
  • Estar em situação de violência;
  • Registrar um boletim de ocorrência, presencialmente em uma delegacia ou pela Delegacia Eletrônica;
  • Procurar um Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) ou, caso esteja acolhida em um abrigo, solicitar o auxílio por meio desse serviço.

A secretária explica que as equipes de assistência social podem ajudar a mulher a registrar a ocorrência e encaminhar o pedido.

O benefício é concedido por seis meses e pode ser prorrogado por mais seis, caso os profissionais responsáveis pelo acompanhamento identifiquem que a mulher ainda precisa do suporte. O valor é reajustado anualmente.

Além da ajuda para pagar o aluguel, as beneficiárias recebem acompanhamento da assistência social, atendimento psicológico e encaminhamento para programas de qualificação profissional e oportunidades de trabalho.

"Não é apenas auxílio financeiro, que é muito importante. Essa mulher passa por um acompanhamento da assistência social, dos psicólogos da assistência social, e é encaminhada para programas de qualificação profissional e também para o mercado de trabalho, se assim desejar", explica Vandecleya.

VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região

Source: G1

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