Nos áudios, a voz que passa as mensagens para outros rodoviários é atribuída ao presidente interino do sindicato, Fábio Primo. As orientações destacam que havia um número reduzido de adesivos e orienta a colagem apenas naqueles coletivos que iriam para as ruas.

"Não tem material suficiente para todos os carros, então, quando chegar, temos que pegar na mão do operador o número dos carros que vão sair, para a gente colar apenas nos carros que vão sair, até porque eles não colocam 100% da frota", diz a mensagem.

Em outro ponto, o homem destaca um local de responsabilidade dos envolvidos para o desempenho da ação: "Temos que pegar o material [adesivos]. O momento é crucial. Não existe outra alternativa, então todo mundo tem que se doar um pouco".

Ao menos 75 ônibus são impedidos de sair de garagens de Salvador durante o 2º turno das eleições — Foto: Reprodução/Redes Sociais

A equipe de reportagem tentou gravar com Fábio Primo, mas ele preferiu se posicionar por nota, por meio do Sindicato dos Rodoviários.

No posicionamento, a entidade afirmar ser "inadmissível distorcer os acontecimentos para construir uma narrativa que responsabilize a entidade sindical, desviando o foco das circunstâncias efetivas que levaram à retenção dos ônibus".

O sindicato afirma também que não vai aceitar acusações "infundadas" nem "tentativas de deslegitimar sua atuação", e pontua que os fatos devem ser apurados com seriedade, responsabilidade e transparência, "sem manipulações ou atribuições indevidas de culpa”.

A Procuradoria Geral do Estado (PGE) apresentou uma queixa-crime ao Ministério Público Federal (MPF) e outros elementos foram adicionados ao processo, incluindo o áudio. Até a última atualização, não havia uma conclusão sobre o caso.

Vereadores pediram investigação na Câmara

Vereadores pedem abertura de investigação após redução de ônibus durante eleições

Vereadores pedem abertura de investigação após redução de ônibus durante eleições

Na terça-feira (27), um grupo de vereadores de Salvador pediu a abertura de uma investigação na Câmara Municipal sobre a redução da frota no segundo turno.

A proposta foi apresentada ao presidente da Casa, vereador Carlos Muniz (PSDB), durante a tarde, em reunião a portas fechadas. O objetivo dos vereadores é responsabilizar os envolvidos, caso seja confirmado o erro.

Até a última atualização desta reportagem, a oposição, que é minoria na Casa, tinha 10 das 14 assinaturas necessárias para a abertura da Comissão Especial de Inquérito (CEI). A Câmara de Salvador tem 43 vereadores.

Relatório aponta falhas

Também na terça-feira a TV Bahia teve acesso ao processo que tramita no Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA). No documento, os juízes relatam falhas encontradas durante vistoria nas garagens das empresas de ônibus.

  • Na sede do BRT, localizada na Avenida Barros Reis, as autoridades foram recebidas por um supervisor, que "confirmou que a frota que estava circulando era inferior à frota que circula durante a semana, e que a empresa segue orientação recebida da Semob".
  • Depois, os juízes foram até a sede da Integra Verde G2, no bairro de Santa Mônica, e constataram diversos veículos estacionados na garagem. No local, eles foram recebidos por um operador de tráfego, que também confirmou que a frota circulando era menor do que a frota semanal.
  • Por último, o grupo se dirigiu até a garagem da Ottrans G1, situada na Estrada Velha de Campinas de Pirajá, onde encontrou a mesma situação: ônibus parados e um operador de tráfego também confirmando que a frota circulando era menor do que a frota ativa durante a semana.

A equipe de reportagem também teve acesso aos vídeos anexados ao processo que mostram as garagens com dezenas de ônibus parados. O Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) encontrou mais de 950 coletivos parados durante a fiscalização.

Secretário se defende

Secretário de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza — Foto: TV Bahia

Em entrevista à TV Bahia na terça-feira, o secretário de mobilidade de Salvador (Semob), Pablo Souza, afirmou que a prefeitura adotou a mesma estratégia de transporte nos dois turnos de eleições e que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não determinou que 100% da frota de ônibus estivesse disponível em nenhuma cidade do país.

"Adotamos no domingo exatamente a mesma estratégia que adotamos no primeiro turno das eleições deste ano. Há mais de 10 anos, a Prefeitura de Salvador adota a mesma estratégia. O TSE, em nenhum momento, determinou que 100% da frota de ônibus estivesse em nenhuma cidade do país", afirmou.

O secretário de mobilidade afirmou que a frota de ônibus é de 1,7 mil veículos, e que, no primeiro e no segundo turno, 850 veículos operaram nas ruas — ou seja, 50% da frota.

Em contrapartida, a resolução nº 23.751 do TSE, de fevereiro de 2026, diz que: "o poder público adotará as providências necessárias para assegurar, nos dias de votação, a oferta gratuita de transporte coletivo urbano municipal e intermunicipal, inclusive o metropolitano, com frequência compatível com aquela dos dias úteis (Supremo Tribunal Federal, ADPF nº 1.013/DF)".

Além disso, um texto veiculado no site da Semob, informa que a operação do segundo turno das eleições contaria com "100% da frota utilizada em dias úteis, sem a redução habitual de veículos aos domingos". (Veja imagem abaixo)

O Sindicato dos Rodoviários de Salvador confirmou que, aos fins de semana, a frota é reduzida para até 50%, devido a folgas dos funcionários. No dia do segundo turno, a operação montada era de um domingo comum.

De acordo com o secretário, a única diferença entre a operação do primeiro e segundo turno está relacionada a colagem de adesivos com propaganda eleitoral.

Texto publicado no site da Secretaria de Mobilidade de Salvador antes do 2º turno de eleições — Foto: Redes sociais

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Source: G1

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