PM recolhe fuzil durante megaoperação — Foto: Reprodução

Coordenador do Grupo de Atuação Integrada em Segurança Pública (GAESP) do MPRJ, o promotor Fábio Corrêa disse que mais de 4 mil horas de imagens de câmeras corporais estão sendo analisadas. Ele ainda explicou quais são as acusações:

“Recusa de obediência, o que é previsto no Código Penal Militar, onde justamente há uma obstrução dolosa e deliberada das câmeras corporais para que não realizem as filmagens e ocultem o que de fato está acontecendo”, disse o promotor.

“Houve denúncias relacionadas a violações de domicílio, houve denúncias relacionadas à subtração de um fuzil que deveria ter sido regularmente apreendido e endereçado para as providências cabíveis, houve denúncias relacionadas à subtração de peças de um veículo que estava ali na comunidade, e denúncias relacionadas também a um picolé dentro de uma residência de morador”, pontuou.

Relatório sobre vídeos de câmeras de PMs de megaoperação indica tortura, ameaças de morte e agressões a criminosos e moradores — Foto: Reprodução

📌Um ano da megaoperação: esta reportagem faz parte de uma série do g1 sobre os desdobramentos da ação realizada em 28 de outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, com 122 mortos.

Veja outras reportagens:

Nas imagens analisadas, o promotor afirmou que o Ministério Público encontrou 2 casos que chamaram a atenção:

"Um foi a questão do corpo decapitado e outro que foi um cadáver que ostentava tiros a curta distância. Foram as duas hipóteses que chamaram mais a atenção que, muito embora não sejam análises conclusivas, elas serão analisadas, cotejadas com todos os demais elementos da investigação para que se chegue a uma conclusão", disse o coordenador do Gaesp.

MPRJ denuncia PMs por invadir e arrombar casas durante megaoperação no Alemão

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Raio-x dos complexos do Alemão e da Penha — Foto: Arte g1

PM denunciado foi segurança de TH Joias, diz polícia

Menos da metade de policiais do Bope e da Core utilizou câmeras corporais em megaoperação

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Em um dos casos, o sargento Fábio Vicente de Souza foi gravado tentando retirar a bateria do equipamento, apontando a câmera para mesas, barris, muros e veículos.

Ele guardou o dispositivo dentro da viatura por aproximadamente 5 horas consecutivas para impedir a filmagem das ações policiais.

Além disso, o sargento também entrou em uma casa e permaneceu lá armado contra a vontade de um morador da Vila Cruzeiro. O laudo técnico de análise de vídeo confirmou que a invasão ocorreu momentos antes de o agente dar início a uma série de 9 desligamentos de sua câmera operacional.

TH Joias — Foto: Reprodução e Divulgação

Fábio foi investigado em 2017 pela Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) por atuar como segurança particular de um operador financeiro do Terceiro Comando Puro em Madureira.

Na época, Thiego Raimundo dos Santos era conhecido como TH. Posteriormente, já com o apelido de TH Jóias, Thiego se tornou deputado e foi preso pela Polícia Federal por ligações com o Comando Vermelho.

Na época, a investigação da Corregedoria identificou que havia indícios de infração penal militar pelo sargento Fábio, que então trabalhava no 15º BPM (Duque de Caxias).

“Considerar que há indícios de infração penal militar praticado pelo 3º SGT PM Fabio Vicente de Souza, capitulado artigo 288 (Associação Criminosa), do Código Penal”, dizia um trecho da investigação da corregedoria da PM.

O caso foi encaminhado para a Promotoria ligada à Auditoria de Justiça Militar.

PMs conversaram sobre fuzil roubado

Guarnição do Batalhão de Choque investigada por crimes cometidos na Megaoperação Contenção — Foto: Reprodução

O sargento Diogo da Silva Souza, do Batalhão de Choque, teve áudios gravados pela sua própria câmera corporal articulando com outros colegas sobre como descartar e esconder um fuzil desviado durante a operação:

“Pô, tem que ir para um lugar deserto, colocar na caçamba... lá pra cima tem umas ruas desertas dessas aí.”

Junto com ele, foram denunciados os sargentos Vilson, Renato, Eduardo Coutinho e Wagner, além do subtenente Marcelo Luiz do Amaral.

"Eu vou tirar e colocar na minha mochila de novo, está separado, pode botar nesse daí?", diz o sargento Coutinho para o subtenente Amaral. Em outro momento, Amaral sugere que Coutinho faça um registro com o armamento.

“Tirar uma foto com ele lá”, disse o PM para o colega.

Corregedoria prende 5 PMs suspeitos de furtar fuzis na megaoperação de outubro no RJ

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PMs denunciados

Veja a lista completa de PMs denunciados:

  1. Alexander Nóbrega Caridade, 3º sargento: violação de domicílio, furto qualificado e recusa de obediência
  2. Arleidson Santos Júnior, soldado: violação de domicílio
  3. Bruno dos Santos Martins, cabo: violação de domicílio
  4. Caio Teles Mathias, soldado: violação de domicílio e furto qualificado
  5. Charles William Gomes dos Santos, 3º sargento: peculato majorado
  6. Diogo da Silva Souza, 2º sargento: peculato, recusa de obediência, violação de domicílio qualificada, constrangimento ilegal e roubo qualificado.
  7. Eduardo de Oliveira Coutinho, 3º sargento: furto qualificado, peculato, recusa de obediência, violação de domicílio qualificada, constrangimento ilegal e roubo qualificado
  8. Emanuel D’Azevedo Ferreira, 2º sargento: recusa de obediência
  9. Ewerton Guimarães da Silva, cabo: recusa de obediência
  10. Fábio Vicente de Souza, 3º sargento: violação de domicílio qualificada e recusa de obediência
  11. Gilson Félix da Silva, 3º sargento: violação de domicílio
  12. Gustavo Giampietro, 1º sargento: peculato
  13. Hélio Gonçalves Ferreira Jr., 3º sargento: violação de domicílio e recusa de obediência
  14. Hugo Leonardo de Almeida, 2º sargento: violação de domicílio e recusa de obediência
  15. Iassui Santos Rocha Junior, cabo: recusa de obediência e violação de domicílio qualificada
  16. Jeferson B. Pereira, 3º sargento: violação de domicílio
  17. Jefferson Ferreira Braga, subtenente: recusa de obediência
  18. Leandro Neves Ribeiro, 2º sargento: recusa de obediência e violação de domicílio qualificada
  19. Marcelo Luiz do Amaral, subtenente: furto qualificado e peculato
  20. Marcos Vinicius Ferreira Silva Vieira, 3º sargento: peculato majorado
  21. Paulo Cesar da Cruz Telles, subtenente: recusa de obediência, violação de domicílio qualificada e furto
  22. Rafael Paes da Conceição, 3º sargento: violação de domicílio e recusa de obediência
  23. Renato Vinícius Maia, 2º sargento: furto qualificado, peculato, recusa de obediência, violação de domicílio qualificada, constrangimento ilegal e roubo qualificado
  24. Roger Pereira Folhadella, 2º tenente: recusa de obediência e violação de domicílio qualificada
  25. Rômulo André Pires dos Santos, subtenente: violação de domicílio e recusa de obediência
  26. Thiago Leandro da Silva, cabo: recusa de obediência e violação de domicílio qualificada
  27. Vilson dos Santos Martins, 2º sargento: peculato, recusa de obediência, violação de domicílio qualificada, constrangimento ilegal e roubo qualificado
  28. Wagner dos Santos Machado, 3º sargento: furto qualificado e peculato

Source: G1

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