A investigação apura o uso de imagens da filha de Omar Aziz (PSD), ainda criança, em publicações nas redes sociais que associavam o governador eleito a acusações de pedofilia. O inquérito investiga possíveis crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Em nota enviada à imprensa, os advogados afirmaram que garantias legais e prerrogativas da advocacia não foram respeitadas durante o cumprimento do mandado.
"O que não se pode aceitar é o uso politiqueiro da situação para ferir a honra da ex-candidata. É fundamental destacar que o cumprimento de uma ordem judicial não concede às autoridades autorização para ultrapassar os limites da lei", diz trecho da nota.
Os advogados também denunciaram o que classificaram como uma escalada de perseguição política contra a ex-candidata e criticaram o vazamento de informações de uma investigação que corre sob segredo de Justiça. Segundo a nota, Maria do Carmo tem sido alvo de exposição pública desde o resultado das eleições.
A defesa afirmou ainda que a ex-candidata sempre esteve à disposição para colaborar com a investigação e identificar os responsáveis por eventuais violações de direitos. Segundo os advogados, ela compareceu espontaneamente à delegacia em 29 de outubro e se ofereceu para entregar os aparelhos eletrônicos.
Na quinta-feira (5), um dia antes da operação, Maria do Carmo publicou um vídeo em que afirmou que aguardava o cumprimento do mandado e estava preparada para colaborar com as autoridades.
"Estou aqui para colaborar e acredito que a Justiça dos homens será feita, porque a Justiça de Deus não falha. O fogo, quando não tem palha, não espalha", declarou.
A defesa disse que a ex-candidata permanece tranquila e confiante em sua inocência.
Como foi a operação
Polícia apreende celular e computador de Professora Maria do Carmo em investigação sobre imagens de filha de Omar Aziz — Foto: Lucas Macedo/g1 AM
Maria do Carmo não estava em casa quando os policiais chegaram. Ela apareceu no imóvel por volta das 6h18, quando a operação já havia começado.
O delegado Marcelo Martins, que assumiu a condução do inquérito por determinação da Delegacia Geral da Polícia Civil, afirmou que houve resistência durante o cumprimento do mandado, mas que a equipe conseguiu realizar a apreensão dos equipamentos.
"Foi uma diligência difícil. Nós encontramos alguma resistência durante a execução do mandado, na medida que tivemos algumas discussões aí sobre alguns temas técnicos, jurídicos, sobre o alcance do mandado. Mas a gente conseguiu cumprir a ordem judicial. Fizemos a apreensão do aparelho celular da Maria do Carmo e do computador pessoal dela. Esse material vai ser extraído os dados desses dispositivos e nós vamos fazer a análise desse material para tentar avaliar a participação dela nesse crime", explicou.
Segundo o delegado, os equipamentos serão submetidos à perícia para identificar a possível participação de Maria do Carmo e dos demais investigados.
"Porque vale destacar que já foi constatada a violação ao estatuto da criança e do adolescente agora é entender a participação de cada pessoa dentro desse cenário. Exatamente. A prática de crime nesse caso já está configurada. O que falta agora ser mais aprofundado, vamos dizer assim, é nível de participação de cada um dos investigados", afirmou.
Delegado classifica divulgação de imagens como conduta cruel
Ao comentar a gravidade da produção e disseminação do conteúdo nas redes sociais, Marcelo Martins classificou a ação como uma conduta cruel contra a adolescente.
"Trata-se da ação de uma mente perversa, que utilizou as redes sociais para violar a intimidade e a dignidade de uma adolescente com objetivos escusos", declarou o delegado.
Ex-candidata do governo do Amazonas, Professora Maria do Carmo (PL) — Foto: Rede Amazônica
Casa de Professora Maria do Carmo é alvo de busca e apreensão da Polícia Civil em Manaus — Foto: Lucas Macedo/g1 AM
Source: G1
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