Para fazer a prova na capital, a estudante Thayla Thauane Santos, de 18 anos, precisou enfrentar horas de navegação no rio, cerca de 185 quilômetros. Ela é moradora da comunidade do Carneiro, no arquipélago do Bailique, distrito de Macapá, e cursa o ensino médio na Escola Estadual Igarapé do Carneiro.

"A viagem é exaustiva por causa da maresia e do horário, pois chegamos de madrugada. Mas vale a pena o esforço para quem quer alcançar algo na vida. Venho me preparando desde que entrei no ensino médio. Fiquei em 6º lugar na redação do programa Jovem Senador e é gratificante representar minha escola. Quero cursar enfermagem para ajudar a minha comunidade", contou Thayla.

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Viagens do interior

Além de Thayla, outro morador da comunidade do Carneiro que precisou se deslocar até a capital foi Fabrício Braga dos Santos, de 20 anos.

"A viagem foi boa, apesar das dificuldades na preparação. Meu objetivo é tirar uma boa nota no Enem para conseguir entrar na faculdade", disse Fabrício.

Fabrício, morador do Bailique, enfrentou uma longa viagem fluvial para fazer o Enem. — Foto: Isadora Pereira/g1

Os dois estudantes do Bailique foram alocados em Macapá devido a um erro no sistema do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), segundo a Secretaria de Estado da Educação (Seed).

Apesar da falha no cadastro do órgão federal, o Governo do Amapá assumiu os custos de transporte, acolhimento e alimentação dos alunos nos dois domingos de provas.

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A rotina de deslocamento até a capital também fez parte do dia de Nataly Evelin dos Santos, de 17 anos, moradora da comunidade Corre Água, na região do Pacuí. Ela estuda na Escola Estadual São João e faz o Enem pela primeira vez.

"Desejo que todos alcancem seus objetivos, porque é um esforço muito grande para estarmos aqui. O Enem é muito importante para nós do interior, pois é a forma de ingressar em uma boa faculdade", disse Nataly.

Nataly Evelin dos Santos, de 17 anos, faz o Enem pela primeira vez. — Foto: Isadora Pereira/g1

Logística e acolhimento

A secretária de Estado da Educação, Simone Guedes, explicou que a estrutura foi organizada para garantir suporte pedagógico, transporte e refeições aos candidatos antes e depois do exame.

"Montamos uma logística para atender 309 alunos de Itaubal, Cutias, Bailique, Pacuí e da área da Pedreira. O Estado garantiu o transporte desde o município de origem, o acolhimento na chegada e a alimentação. Após a prova, eles retornam para a escola, jantam e seguem de volta para suas casas", destacou a secretária.

Simone Guedes, secretária de estado da educação. — Foto: Isadora Pereira/g1

De acordo com a Seed, 9.049 alunos do 3º ano da rede pública estadual estão inscritos nesta edição. Como preparação, a pasta promoveu revisões pedagógicas ao longo do ano, incluindo o "Aulão Show Enem", que reuniu cerca de 6 mil estudantes no Sambódromo de Macapá.

Estudantes dos municípios do interior do Amapá almoçaram na escola Tiradentes e seguiram para seus locais de prova. — Foto: Isadora Pereira/g1

Novidades no exame

Uma das novidades desta edição é a integração do Enem com o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), determinada pelo Ministério da Educação (MEC). Com a mudança, a participação e o desempenho dos alunos na prova também serão computados para compor o índice educacional do estado.

Além disso, uma portaria publicada pelo MEC validou os dois domingos de aplicação do Enem como dias letivos na rede pública.

O Enem 2026 será realizado nos dias 8 e 15 de novembro. Principal mecanismo de acesso ao ensino superior no Brasil, a avaliação permite que os candidatos concorram a vagas em universidades públicas por meio do Sisu, além de bolsas de estudo do Prouni e financiamentos pelo Fies, conforme as regras de cada programa.

Alunos do interior do Amapá são levados de ônibus até o local de prova em Macapá. — Foto: Isadora Pereira/g1

Source: G1

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