Renata participou do primeiro atendimento e ajudou a convencer a mulher a sair do quarto e aceitar assistência médica. Após receber alta, ela passou a ficar temporariamente na casa de familiares, junto com a mãe.

Segundo a Polícia Civil, não foram encontrados indícios concretos de agressões físicas ou maus-tratos até o momento. O caso continua sob apuração, e mãe e filha estão recebendo acompanhamento dos serviços municipais de saúde e assistência social.

Renata e Mizael levam presentes à mulher encontrada isolada do convívio social por 18 anos em Cristais Paulista, SP — Foto: Arquivo pessoal

Pedido de amizade e convite para caminhar

Renata contou que voltou a visitar a mulher na casa de familiares acompanhada de um colega. Os dois levaram uma flor e um chocolate para tentar fortalecer o vínculo criado durante o primeiro atendimento.

Durante a conversa, a mulher perguntou se poderia ser amiga da agente de saúde.

"Claro, eu sou amiga desde ontem", respondeu Renata, segundo o relato que fez ao g1.

A mulher também perguntou se poderia mandar mensagens para ela e se, depois de passar por atendimento médico, conseguir se alimentar melhor e ganhar peso, poderia fazer caminhadas.

Ao receber uma resposta positiva, quis saber se Renata a acompanharia nos passeios.

LEIA MAIai comigo?", perguntou a mulher, segundo a agente.

"É um prazer", respondeu Renata.

A chefe da Vigilância Sanitária afirmou que pretende continuar acompanhando o caso e ajudar no que estiver ao seu alcance.

Casa onde mulher de 33 anos foi encontrada e contou que vive em isolamento social há 18 anos, em Cristais Paulista, SP — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Aproximação começou durante atendimento

O primeiro contato de Renata com a mulher aconteceu após uma denúncia ao Disque 100, que levou equipes policiais até a residência.

Segundo a agente, a mulher ficou assustada com a presença de pessoas desconhecidas e resistiu às primeiras tentativas de aproximação.

"Ela ficou muito assustada. Ela gritava, ela pedia para todo mundo sair dali", contou.

Renata foi chamada para ajudar na abordagem. Ela encontrou a mulher em um quarto escuro, com a janela fechada e forte odor.

A agente tentou convencê-la a ir até a sala, onde havia mais iluminação, mas inicialmente a mulher recusou a ajuda.

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Renata se afastou e retomou a conversa aos poucos, explicando que estava ali para ajudá-la.

"Tati, eu tô aqui para ser sua amiga, a gente tá aqui para te ajudar, somos todos seus amigos", contou Renata sobre o que disse durante a abordagem.

Depois da conversa, a mulher aceitou sair do quarto e receber atendimento médico.

Casa da mulher encontrada vivendo em isolamento social em Cristais Paulista, SP — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Isolamento desde os 15 anos

Segundo a Polícia Civil, a mulher contou que interrompeu os estudos após concluir a 8ª série porque sofria bullying na escola por causa de alterações físicas no tórax e nas costas.

Ela relatou que passou a viver isolada desde então, sem manter contato com pessoas de fora do ambiente doméstico.

No atendimento médico inicial, profissionais identificaram sinais compatíveis com desnutrição, anemia e deficiência de vitaminas.

A residência foi interditada pela Vigilância Sanitária devido às condições de higiene e à quantidade de materiais acumulados. Os familiares receberam orientações para realizar a limpeza do imóvel.

A mulher negou ter sofrido agressões ou maus-tratos da mãe. Uma avaliação médica também não identificou marcas de violência física.

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Source: G1

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