O jovem, que começou a estudar os fenômenos após presenciar os estragos causados por um temporal na casa onde mora, tem o apoio da família e planeja seguir carreira na meteorologia.
Mateus Luz durante expedição para caçar tempestades no interior de SP — Foto: Arquivo pessoal/Reprodução
O ponto de virada ocorreu durante uma forte tempestade que atingiu a propriedade da família quando Mateus tinha 12 anos. O barulho e a intensidade do vento assustaram o garoto, mas também acenderam a vontade de compreender a dinâmica dos fenômenos meteorológicos.
"Nós moramos em uma chácara cheia de árvores e passamos por uma tempestade terrível, com ventos muito fortes. Aquilo marcou demais a vida dele. Nós conversamos muito na época para acalmá-lo, mas eu nunca imaginei que, anos mais tarde, aquele trauma viraria uma paixão. Eu nem sabia que existia esse negócio de caçador de tempestades", relembrou a mãe do jovem, Alessandra Luz, em entrevista ao g1.
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Supercélula nave-mãe registrada por Mateus durante expedição de maio — Foto: Arquivo pessoal/Reprodução
O incentivo em casa surtiu efeito, e o adolescente passou a pesquisar mais sobre meteorologia. O empurrão definitivo veio em 2024, quando o filme "Twister" (1996) foi relançado nos cinemas. Mateus conta que assistir ao longa foi o que faltava para entrar de vez na atividade.
"Posso dizer que o filme deu um empurrãozinho. Com o tempo, fui aprofundando meus conhecimentos e passei a acompanhar as condições meteorológicas para tentar observar os eventos de mais perto. Também melhorei meus equipamentos e investi na área", explicou.
Mateus começou com o hobby de caçar tempestade com 14 anos e já realizou sete expedições pelo interior de SP — Foto: Arquivo pessoal/Reprodução
O estudante já contabiliza inúmeras expedições de monitoramento, realizadas ao lado de amigos com quem compartilha o hobby e com o suporte dos pais. Apesar do receio com a exposição aos temporais, a mãe faz questão de acompanhar as viagens de perto.
"Como mãe, hoje confesso que acho a atividade perigosa, mas faço questão de estar sempre junto dele, apoiando e acompanhando", pontuou Alessandra.
Mateus, à esquerda, com colegas caçadores de tempestades no interior de SP — Foto: Arquivo pessoal/Reprodução
Como funcionam as caçadas
Para viabilizar as observações com segurança, Mateus adquiriu câmeras fotográficas de maior alcance e passou a utilizar softwares de radar, modelos de previsão numérica e cartas meteorológicas.
A preparação para cada expedição tem início dias antes do deslocamento. A equipe monitora a probabilidade de formação dos núcleos de tempestade, os índices de instabilidade, a trajetória dos sistemas e as áreas com maior potencial para tempo severo.
"Caçamos sempre com alguém nos guiando, para termos rotas de fuga caso sejamos surpreendidos por fenômenos destrutivos como rajadas de vento e granizo, mantendo a observação a uma distância segura", detalhou o estudante.
Entre os registros mais marcantes acumulados até agora, o jovem cita uma supercélula clássica noturna fotografada em 30 de agosto e uma estrutura conhecida no meio meteorológico como supercélula "nave-mãe", capturada em maio.
Supercélula noturna registrada pelo jovem Mateus Luz durante expedição para caçar tempestades — Foto: Arquivo pessoal/Reprodução
🔍Supercélula "nave-mãe" é o tipo de tempestade mais severo, organizado e duradouro da natureza, caracterizado pela presença de uma corrente de ar ascendente em rotação. As tempestades que ocorrem à noite trazem o risco adicional da falta de visibilidade, enquanto o termo "nave-mãe" refere-se ao visual de algumas dessas formações, cujas camadas circulares lembram a silhueta de um disco voador.
Focado em profissionalizar o trabalho de campo, o adolescente pretende ingressar no ensino superior na área de ciências atmosféricas.
"É algo que venho estudando por conta própria e gostaria de aprofundar meus conhecimentos profissionalmente no futuro, junto, é lógico, com as caçadas de tempestades", afirmou.
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Source: G1
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