A creatina é uma substância que o próprio corpo produz e que também vem da alimentação, principalmente da carne. Como suplemento, é usada para ganhar força e melhorar o desempenho nos treinos. Uma revisão publicada em 2025 no Journal of the International Society of Sports Nutrition indica que as mulheres, em média, produzem cerca de 20% menos creatina e consomem de 30% a 40% menos pela alimentação, o que ajuda a explicar o interesse.
1- O que se sabe sobre creatina em mulheres
A mesma revisão aponta que a suplementação parece melhorar força, desempenho e composição corporal, principalmente quando combinada com treino de força. Também há indícios, ainda em fase inicial, de efeitos sobre humor e cognição. Nos estudos, a dose de manutenção mais usada fica entre 3 e 5 gramas por dia.
Esses resultados vêm, em sua maioria, de mulheres sem endometriose. E a revisão não trata da doença.
2- O que existe sobre endometriose
O trabalho mais citado é um estudo experimental publicado em 2024 na revista Advanced Science. Os pesquisadores encontraram acúmulo de creatina, produzida pelo próprio organismo, no líquido da cavidade abdominal e nas células de lesões de pacientes com endometriose.
Em laboratório, a adição de creatina deixou essas células mais resistentes à ferroptose, um tipo de morte celular provocada pelo excesso de ferro. Esse processo, em tese, ajudaria o organismo a eliminar células que não deveriam estar ali. Com base nisso, os autores propõem que a creatina pode favorecer a progressão da doença.
Há limites importantes. É um estudo de laboratório, não um teste com mulheres tomando creatina. Encontrar mais creatina nas lesões também não prova que o suplemento, tomado pela boca, piore a endometriose.
O que ainda não sabemos sobre creatina e endometriose
Até o momento, não há ensaios clínicos que tenham avaliado o uso da creatina em mulheres com endometriose, nem para mostrar benefício, nem para mostrar prejuízo. Existe, portanto, um sinal de alerta em laboratório e uma lacuna em pesquisas com pessoas. Na ciência, esse cenário pede cautela, não conclusão.
3- Suplemento não é tratamento
Seja qual for o resultado dessas pesquisas, um ponto não muda: nenhum suplemento trata a endometriose. O tratamento da doença envolve acompanhamento médico, medicamentos hormonais e, quando há indicação, cirurgia. A creatina pode até ter um papel no condicionamento físico, mas não substitui nem adia nenhuma dessas etapas.
"Quando a evidência ainda é inicial, o correto é não transformar hipótese em regra. Suplemento não trata endometriose, e a decisão de usá-lo precisa considerar a doença, os sintomas e o objetivo de cada paciente", explica Tiago Castilho, cirurgião oncológico com atuação em cirurgia ginecológica e cirurgia de endometriose profunda.
Na prática, quem tem endometriose e já usa ou pretende usar creatina deve conversar antes com o médico que acompanha o caso, principalmente se a doença estiver ativa ou os sintomas estiverem mal controlados. Para entender melhor o que a ciência sabe até agora, vale a leitura do artigo "Endometriose e creatina: o que a ciência sabe até agora".
Investigação e cuidado especializado
Suplementos podem fazer parte de diferentes estratégias de saúde, mas não devem ser confundidos com tratamento específico da endometriose.
Há mais de 10 anos atendendo e operando mulheres com a doença, Tiago Castilho trabalha com decisões baseadas nas características individuais de cada caso. Quando existe indicação cirúrgica, sua atuação inclui videolaparoscopia e cirurgia robótica, técnicas minimamente invasivas, associadas à preparação e à recuperação estruturadas pelo Cuidado 360º.
Para mais informações ou agendamento de consulta, entre em contato pelo telefone (44) 99169-8161.
Tiago Castilho é Cirurgião Oncológico com atuação em Cirurgia Ginecológica e Cirurgia de Endometriose Profunda, mestre e doutor na área, com mais de 10 anos de experiência no tratamento cirúrgico da doença. CRM-PR 22590 | RQE 2911 | RQE 844.
Source: G1
At a glance
- Topic
- World
- Country
- 🇧🇷 BR
- Publisher language
- PT
- Added to Allnira